Sábado, 21 de Abril de 2012

My non-poetic death

A writer dies constantly: in every period, in every single sentence, a writer dies.
I hear the melody of my voice inside,
my voice that shuts reality inside my head.

In every thought of guilt, a writer cries...
and his tears (oh!, the tears of a writer...!) ...
The pure and cold tears of a writer.

Beneath all thoughts that whisper
to me as I could hear them,
I hold a tear of a writer
and I envy its sweetness,
its simplicity.

Because I'm not a writer, I long for words,
for the words never written,
for a true song of happiness.

Because I shall never feel like a writer,
I wish for sadness and weakness; and so,
when I know I mustn't contradict my thirst
and hold on to what is sane,
I write.
I write a sunny afternoon, a meadow after storm,
a drop of rain: sweet memories I can't recall,
so distant and so vain.

But a writer dies constantly,
in each phrase, each drop of ink...
                                                     and I can barely breath through despair.

Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Pirilampo

Não sei bem quem sou.
Não sei se parei
no tempo suspenso,
sem gravidade, ou altitude;
não sei se me importa saber
se, das coisas que vou esquecer,
a tua lembrança sobrará.
Não sei o que será,
mas alegro-me tanto de te ver assim:
pequenina, ainda virgem.

Não sei se posso afirmar que te espero
e que te sinto quando perto
me tocas levemente...
Não devia, certamente,
mas refrescas-me com os pirilampos
que te vivem nos olhos
e que saltam e brilham e riem gargalhando!

Mesmo que não chegues,
eu espero por essas memórias
a acontecer
como antecipação de ti, Pequenina,
ainda pequenina, ainda pura,
ainda minha.

Espero-te muito...
Quero-te muito...

Muito.

Terça-feira, 27 de Março de 2012

Breve Passagem

A vida é uma sucessão de boas passagens: seria tão bom poder encará-la como uma outra viagem qualquer em que preparamos a bagagem (ou não) e se parte. Seria realmente bom ter memória saudavelmente, sem mágoas nem rancores, e atribuir importância apenas ao que nos deu, de uma forma ou de outra, um momento de felicidade.

Há pessoas que me recordam que a minha vida é uma passagem. Há pessoas especiais. Na minha passagem. E como lhes agradeço sem que saibam o seu tão grande contributo para a minha memória saudável, porque ver as pessoas especiais me faz consciencializar do meu tamanho e ver-me, na minha verdadeira medida, acalma-me. As pessoas especiais tiram-me o medo. O medo que, há demasiado tempo, tem habitado em mim.

Domingo, 11 de Março de 2012

Loop

Se eu gostava? Sim...
gostava de dizer que não sinto falta
e que saudades tuas é algo que não me existe;
sim... gostava de afirmar certamente
que não foste, que nós somos nós, somente,
como tanto tempo fomos.

Gostava de não saber o que é
esta tua ausência, indiferença talvez,
de já não me querer,
de já não ler os meus sentidos.

Mas foste.
É-me inevitável consenti-lo.
E admiti-lo.
E senti-lo quando o que realmente sinto
é a tua falta.

Dizer-te que não dói é mentir-te,
porém, depois de tanto tempo passado,
será útil regressar ao recuado
discurso de que o tempo passou,
nós passámos
e tudo passa a um ritmo diferente,
tudo, incluindo nós?
Será realmente útil
argumentar contra as velocidades físicas
e as outras que nos separam?
De que servirá?

Sim... sinto falta do que já não há...
Mas quem sou eu... ?

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Ao meu amigo

Escrevo notas,
digo adeus: vou fugir.
Preciso fugir para os sítios brancos,
para as áreas puras
do frio purificador.
Urgentemente desejo
a saída,
num acto cobarde
e catártico
que me devolva o que tinha dentro.
Vou correr para fora de mim
encontrar no meu reflexo
unidades emocionais perdidas
e desfazer abraços que me estrangulam
e sorrisos que me cortam
e ser inteira e só,
unicamente, simplesmente,
finalmente.

Quando me encontrar, digo-te.
Escrevo-te uma carta. Ou um bilhete, talvez.
Mas vou precisar que saibas tudo:
que me encontrei, que quero que o saibas,
por seres a consciência que não fala,
mas que ouve,
a que não concorda, me insulta
e me acarinha quando tudo cai.

Quando todo este tempo-tornado terminar,
eu falo-te;
quando terminar
e eu cessar de ser eu,
agradeço-te.

Quando tudo isto chegar ao fim,
dar-te-ei a saber que te amo.

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Intervalo

Olho o sol e atento os intervalos
de luz.
Noção vaga e curta do que é "quase-ser",
de não ficar para trás, mas de lado.
Que doença grande
esta deste não contentamento,
deste desalento... deste sofrimento, talvez...

Porque dói entender que não se fez tudo?
O que dói, no fundo?
A sensação na cabeça... o pensamento que me mói
e me engana, provavelmente...
Que foi que fiz? Que provas julguei ter ultrapassado,
quantas missões julgarei ter completado?
Que foi que fiz?

Quanta vontade de dormir e ninguém me deixa...
Cerro os olhos e há alarmes
e eu acordo sempre por entre as minhas lágrimas,
julgando-me já purificada por ter chorado.
Mas sinto o peito magoado... e, mesmo tendo acordado,
sinto e vida em mim dormente.
Num puro momento anestésico, firo-me,
que, sentir por não sentir, que haja rastos
daquilo que me feriu e não senti.
É tão difícil morar em mim...
Tão triste é não ter onde morar e sair deste fim
de mágoas!...

Vejo as minhas mãos ressequidas
por um passado presente...
Estou cada vez mais gélida... ninguém me sofre.
Estou cada vez mais rouca e só...

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Quando

Quando tudo o resto falhar,
não olhes para trás.
Chora. Explode.
Bate contra coisas,
mas não olhes para trás.
Não te rendas,
o passado exige-to.

Quando tudo se arruinar,
perde todas as noções,
todas as regras que te impedem
de seres tu;
improvisa
e solta relâmpagos,
para que ninguém se aproxime
e todos vejam, finalmente,
toda a luz que irradia de ti!

Quando tudo se desmoronar,
não sofras... não adiantará,
que enquanto sofres o que foi, o que será
terá fugido; não saibas.
Não queiras.
Pratica o esquecimento e relembra
as coisas todas anteriores,
superiores,
sublimes momentos longe.
Esquece e anda em frente.

Quando se for,
agradece teres vivido
todo o tempo concedido.
Mas não saibas. Esquece.
Não olhes para trás.